– a loucura cura

Imagem

Trecho do Livro de Guillermo Borja  “A Loucura Cura”

Quando se fala do dionisíaco do espírito de Perls poder-se-ia tomar isso como uma nova forma alternativa de dizer que foi um hedonista. Mas o dionisíaco não é simplesmente hedonismo. Eu mesmo falei, há uns trinta anos em um artigo sobre o “aqui e agora” que passou a fazer parte do meu velho livro, de um hedonismo “humanista”. Com isso quis dizer que se trata de algo diferente do mero “hedonismo por hedonismo”. Não se trata de um hedonismo caracterológico, nem de um hedonismo light. Trata-se do prazer em uma visão humana segundo a qual o prazer é, como a razão, o princípio GUIA. Trata-se de um prazer que serve a algo mais que o prazer; um prazer que serve à realização da pessoa. Certamente um prazer digno de ser respeitado.

Muito falava Zaratrustra disso. Diz, por exemplo, que é necessário alegrar-se. Dante sustenta um pensamento parecido quando fala dos tristes no inferno… existe um inferno dos que estão metidos no lodo (inferno da tristeza) e está implícito na imagem do pecado de meter-se no lodo quando o sol está tão bonito. É um pecado encapsular-se no negativo e na queixa pelo passado quando existe beleza aqui e agora.

Falar assim começa a sugerir o sentido religioso do dionisíaco, e se há de ter muito presente que Dionísio é um Deus.
Nietzche fala da polaridade do apolíneo e o dionisíaco e pode-se dizer que a espiritualidade na Gestalt é dionisíaca; só que para o mundo das religiões antidionisíacas, ela não nos parece “espiritual”.

Existe uma espiritualidade, um elemento transpessoal na Gestalt. Porém é uma espiritualidade invisível quando se olha com os olhos da espiritualidade religiosa usual, porque todas as religiões atuais são apolíneas, são vias espirituais que se apóiam muito no “você tem que” e no controle de si, dando um valor muito relativo à entrega ao aparente caos da natureza e dos impulsos.

Seria oportuno refletir um pouco na grandeza desta concepção do divino implicada por Dionísio, que é um Deus louco, ou em quem a loucura foi elevada a Divindade. Não é o dionisíaco um caminho que diga “aqui há algo doente, é preciso melhorá-lo controlando-o, curando-o, extirpando-o”. Não, a cura é entrar nisso. A cura passará por entregar-se a isso. É como dizia o amigo de muitos aqui presentes;

“A via dionisíaca é uma embriaguez divina, porém essa é uma embriaguez que leva, não à desordem, mas à ordem.”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: