– o herói

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“Inana e Ereshkigal, as duas irmãs, luz e trevas respectivamente, representam, juntas —
nos termos da antiga simbologia —, a mesma deusa dividida em dois aspectos; seu confronto
resume todo o sentido do difícil caminho de provas. O herói, deus ou deusa, homem ou
mulher, a figura de um mito ou o sonhador num sonho, descobre e assimila seu oposto (seu
próprio eu insuspeitado), quer engolindo-o, quer sendo engolido por ele. Uma a uma, as
resistências vão sendo quebradas. Ele deve deixar de lado o orgulho, a virtude, a beleza e a
vida e inclinar-se ou submeter-se aos desígnios do absolutamente intolerável. Então, descobre
que ele e seu oposto são, não de espécies diferentes, mas de uma mesma carne.
A provação é um aprofundamento do problema do primeiro limiar e a questão ainda está
em jogo: pode o ego entregar-se à morte? Pois muitas cabeças têm essa Hidra circundante;
cortada uma delas, duas outras se formam — exceto se for aplicado, ao coto mutilado, o
cauterizador apropriado. A partida original para a terra das provas representou, tão-somente, o
início da trilha, longa e verdadeiramente perigosa, das conquistas da iniciação e dos
momentos de iluminação. Cumpre agora matar dragões e ultrapassar surpreendentes barreiras
— repetidas vezes. Enquanto isso, haverá uma multiplicidade de vitórias preliminares, êxtases
que não se podem reter e relances momentâneos da terra das maravilhas.”

trecho do livro “o herói das mil faces”, Joseph Campbell

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