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“A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, e sim em ter novos olhos.”

Marcel Proust

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– mães equilibradas:

*Mente sã e corpo são.

*Sexualmente satisfeita.

*Emoções equilibradas.

*Colabora junto com seu parceiro.

*Parirão, amamentarão e criarão seus filhos de acordo com a natureza.

*São conscientes de que o novo neném não é uma víscera nem um órgão seu, que nasceram de uma necessidade do universo e vieram para conquistar novos caminhos, sendo um passo a mais para a evolução do ser humano.

*Não lhe irá incutir modelos fora de validade que pertecem ao passado.

*Lhe transmitirão os valores de seus antepassados.

*Se deixarão guiar pelo filho, para que ele indique o que necessita e não metas exigidas pela armadilha familiar que poderia invalidar ou desviá-lo de seu ser essencial.

*Nunca serem as possuídoras únicas do filho, o compartilhará com o pai e com o mundo.

*Não lhe dirão «olha por aqui»  e sim mostrarão o maior número de opções possíveis, lhe dando a oportunidade de escolher.

*Saberão adaptar-se as necessidades do bebê, o amamentando os meses necessários, sustentando-o com braços amorosos e o abraçando com doçura: essa experiência permite ao neném de peito sentir-se real, ser, e logo que dará a possibilidade de fazer e receber.

– mãe consciente:

1.-Parí um filho que não é meu. O entrego ao mundo.

2.-Esse filho não veio cumprir meu projeto, nem os projetos da minha árvore genealógica, e sim seus próprios projetos.

3.-Não o batizo com nenhum nome que já exista na árvore genealógica, nem com nomes que lhe imprimam um destino.

4.-O crío com afeto, sem deixar de ser eu mesma, sem adição ao sacrifício, e sim com responsabilidade e através da libertade.

5.-Lhe ofereço ferramentas que ajudem a construir o edifício de sua própria vida, mas aceito que escolha livremente as que julgue adequadas e rejeite as inadequadas para ele. Me dou conta que a melhor maneira de ensinar um filho não é com limites ou falta deles e sim com exemplo.

6.-Aceito que deixe de me chamar de “mamãe” quando ele decidir, para passar a me chamar por meu próprio nome, dessa forma corta os laços de dependência e a relação entre ambos se equilibra.

7.-Lhe permito e facilito que tenha um espaço privado e íntimo em casa que sinta como seu próprio território.

8.- A escolha de suas amizades, de sua carreira, de suas atividades em tempo livre, etc., o escuto,  dou minha opinião, mas não seleciono nada por ele, nem o proíbo nem obrigo.

9.- Deixo que meu filho cometa erros, que possa cair, que não seja perfeito. Comprendo que cada fracasso é uma mudança de caminho e com eles se cresce a cada dia; se o protejo além da conta, ele será como um bonzai, nunca será adulto.

10.-Jamais definirei a meu filho (“é tranquilo”, “é nervoso”, “é tímido”…), porque entendo que as crianças formam seus  auto-conceitos a partir do que seus pais dizem dele. Lhe transmito que dentro dele estão todas as possibilidades de ser, pode ser tudo em potencial.

Por Alejandro Jodorowsky, extraído de seu livro “Manual de Psicomagia”.ed. Siruela

Foto: Lime Fly Photography

- corações valentes

Se você acha que coragem é apenas impulso emocional e ausência de medo, vale a pena conhecer as últimas pesquisas da área da neurobiologia sobre esse tema. E um dos grandes estudiosos do assunto é justamente o neurocientista e psicólogo clínico brasileiro Julio Peres. Ao longo de sua carreira, Peres especializou-se na superação de traumas – isto é, no exercício de estimular a coragem em seus pacientes e de ensiná-los a superar seus medos. A novidade no assunto é que ele fez um mapeamento de como se dá essa superação por meio de tomografias computadorizadas que mostram os efeitos da psicoterapia em pessoas traumatizadas. E você vai cair de costas: a principal área estimulada é o córtex pré-frontal, a região ligada ao intelecto e ao planejamento de ações, e não a amígdala, uma estrutura cerebral correlacionada com o impulso emocional, a agressividade e o temor. Quem diria, a coragem é uma estratégia mental para superar o medo! Se a crença popular diz que a coragem é uma emoção nascida do coração, a ciência diz que ela é também resultado do raciocínio e capacidade de julgamento das variáveis disponíveis.

A presença do medo

Alguém aí tem ideia da etimologia da palavra covarde? Vem do francês antigo, coart, hoje couard, ou cauda arqueada – o popular rabo entre as pernas. A gente leva uma bordoada daquelas da vida e fica assim, igual a um cachorrinho, com o focinho baixo e o rabo encostado na barriga. Além de ficar com um baita medo de erguer a cabeça outra vez. Vai que lá vem bordoada de novo… É assim que estagnamos. “Procurar ajuda já é o primeiro ato de coragem. Conversar, se expor, desabafar. Acolher esse sentimento de não adequação, esse medo de ousar”, afirma Peres. “Um trauma nos congela no tempo: não conseguimos emergir daquela situação e dar o primeiro passo para ultrapassá-la no presente”.

Mas existem vários recursos terapêuticos para isso. Um deles, por exemplo, envolve os sonhos. Mais de 60% das pessoas com traumas que, no fundo, são grandes medos têm pesadelos com desagradável frequência. É possível, então, dar um desfecho diferente para os sonhos.

Outro recurso é a exposição à situação, passo a passo. No caso de alguém que sofreu um acidente e tem medo de dirigir de novo, por exemplo, a situação pode ser reconstruída no consultório, com apoio psicológico. E, na vida real, a pessoa é estimulada a voltar a dirigir: primeiro como passageiro, ao lado de um motorista em quem tenha confiança, depois tomando a direção, mas ainda com a pessoa ao lado. E depois, num curto trecho, sozinha. Eliminam-se também as mesmas condições do dia do acidente, como um clima chuvoso, baixa luminosidade, estrada ruim, alta velocidade. Aos poucos, incorporam-se outras possibilidades ao cenário. Costuma funcionar. A pessoa pode estar ainda aflita e temerosa, mas a coragem de enfrentar a situação temível já é um passo para ultrapassar os traumas. A lição de ouro dessa história é: não existe coragem sem medo. Se não tiver medo, não é coragem.

Ousados até que ponto?

Na classificação dos quatro grandes grupos comportamentais humanos realizada pela antropóloga americana Helen Fischer no livro Why Him? Why Her? (“Por que ele? Por que ela?”, sem edição brasileira), o pessoal mais atirado é conhecido como “exploradores”. Gente criativa, inteligente, confiante, generosa, otimista. São pessoas um pouco volúveis, é verdade, mas se a estabilidade – seja na profissão, seja nas relações amorosas – oferecer espaço suficiente para a surpresa, o movimento e a inventividade, são capazes de permanecerem fiéis e sossegados por um bom tempo, pela vida toda, até. Segundo Helen, os exploradores, portanto, são os mais propensos a tomar atitudes ousadas – para o bem e também para o mal. Não é raro um explorador, principalmente dos mais afoitos, se esborrachar na vida – e com a mesma desenvoltura se recuperar à custa de seu eterno entusiasmo. A imensa maioria dos exploradores poderia assinar com orgulho o mesmo epitáfio que o poeta Pablo Neruda escolheu para si mesmo: “Confesso que vivi”. Eles realmente amam a vida, se divertem com ela e a vivem intensamente, mesmo com suas feridas, raspões e cortes.

Mas e quem não está nesse grupo? Para estabelecer e classificar esses grandes tipos de comportamento humano, Fischer pesquisou características gerais da personalidade e também a dosagem de hormônios (como progesterona, testosterona e oxitocina) dos seus 40 mil voluntários. Chegou a quatro classificações comportamentais: exploradores, construtores, dirigentes e negociadores. É o que vamos ver em seguida, sem esquecer o que foi dito: que todos nós temos coragem, e que apenas vamos nos diferenciar na maneira de exercê-la.

Construir, negociar

Bem, os construtores são o que Helen chama de “os pilares da sociedade”. São pessoas responsáveis, dedicadas, fiéis a seus princípios e muito ligadas às metas que estabeleceram para suas vidas. São mais tradicionais e procuram pessoas igualmente conservadoras para se relacionar. Permanecem longo tempo nos empregos, ou nos casamentos, e olham com bastante desconfiança para o novo ou diferente. Gostam das coisas como estão e desejam que elas se mantenham assim, mesmo quando não estão lá essas coisas. Podem ser corajosas, principalmente quando lutam pelo que acreditam, porém são cautelosas e menos impulsivas.

Já os dirigentes são líderes naturais. Ambiciosos, persistentes, estrategistas. Arriscam-se conscientemente diante da possibilidade de um lucro maior ou um ganho inesperado. Não têm tanto medo de ultrapassar limites, principalmente se a recompensa for muito tentadora. São motivados pelo sucesso, gostam de ter objetivos claros e demonstram bastante consideração por seus aliados mais importantes. São racionais e bastante concretos com o que desejam no futuro. Valorizam a amizade e a cumplicidade mais do que o amor. Sua coragem geralmente é fruto de uma análise criteriosa, mas também sabem se atirar, pois reconhecem com rapidez uma boa oportunidade.

Os negociadores são éticos, valorizam o bem estar geral e dão bastante importância às questões humanitárias. Pessoalmente, afetuosos, gentis, empáticos com os sentimentos dos outros e bem articulados ao expressar suas próprias ideias. Apreciam relacionamentos profundos e não dão muito valor à vida social. Têm um modo de pensar eclético, dinâmico, abrangente e por isso mesmo são mestres na arte da negociação: o ideal para eles é que tudo chegue a um bom termo sem grandes conflitos. São corajosos e se arriscam principalmente quando o benefício é geral – e não apenas particular.

Para se encher de coragem, além de procurar estímulo e amparo nos outros, fortaleça-se com leituras inspiradoras, uma alimentação energética, exercícios físicos de aterramento, terapia. Traga força e vitalidade para seu corpo, mente e espírito, cerque-se de amigos que possam lhe dar sustentação nas suas decisões. Respire fundo, levante a cabeça e vá fundo.

Artigo retirado do site vida simples
http://vidasimples.abril.com.br/

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A evitação de contato pode ser saudável ou patológica, conforme sua intensidade, sua maleabilidade, o momento em que intervêm e, de uma maneira mais geral, sua oportunidade.¨ (GINGER, GINGER, 1995).
Segundo o livro “Ego, Fome e Agressão”, de Fritz Perls, a resistência já tem início na natureza, quando os organismos resistem em serem devorados criando defesas mecânicas e dinâmicas. Qualquer ataque ou agressão visando nossa destruição parcial ou total é “lida” como perigo. Na luta pela sobrevivência, os meios de ataque e defesa se desenvolvem de maneiras relacionadas, porém diferentes. O atacante aperfeiçoa todos seus meios para alcançar a vítima, o defensor para tornar os ataques impotentes.
O agressor: É alguém que quer apoderar-se de algo, e não a aniquilação. Ele visa destruir a resitência deixando intacta, tanto quanto possível a substância vailosa para ele. O tigre não mata pelo prazer de destruir, mas pelo alimento.
A defesa e meios de resistência: Esses são de natureza mecânica ou dinâmica.
As defesas mecânicas são atividades congeladas, petrificadas, camuflagem ou acumuladas, como conchas ou fortificações de concreto. Os meios dinâmicos de defesa são de natureza motora, como o vôo, e secretora (tinta de polvo, veneno de cobra).
Para salientar um pouco mais a questão da auto-defesa, recomendo esse vídeo. 
Postarei logo mais estudos sobre lutas e psicologia.
http://www.natgeo.com.br/pa/videos/view/18926592-a-ciencia-das-lutas-autodefesa

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1.-Eres un ser deseado. Estás aquí porque el Universo lo quiso y contribuirás con él al desarrollo de la conciencia.

2.-Siente que eres libre de ser lo que eres, no permitas que nada ni nadie te etiquete, ni te imponga guiones que no se corresponden con tu autenticidad.

3.-Cada ancestro de tu árbol es un don que hay dentro de ti para ser usado a tu favor y al de toda la humanidad.

4.-Aprende a no pedir amor, sino a amar.

5.-Cree en los pequeños milagros de cada día y atiende a las coincidencias, en ellas hay mensajes ocultos que te guían en el correcto camino.

6.-Cada día, haz un acto generoso, un acto de bondad.

7.-Si en tu árbol genealógico hubo traumas, sánalos actuando.

8.-Déjate guiar por tu cuerpo, es sabio. Él te alertará de las situaciones de las que debas alejarte, sintiendo tensión y malestar. También te dirá cuando estás alineado con lo que eres, sintiendo relajación y bienestar.

9.-No contamines tu cuerpo con tóxicos, hábitos perjudiciales o una mala alimentación.

10.-En cuanto puedas, sé independiente. Cuanto antes, trabaja utilizando tu creatividad y realízate desarrollando tu vocación.

11.-Escribe un poema cada día.

12.-Busca y provoca situaciones que te hagan reír y hagan reír a los demás.

13.-Tiende a compartir, a colaborar, a ser solidario.

14.-Cuando tengas problemas, puedes analizarlos, puedes hablarlos, pero ten por seguro que hasta que no actúes no se producirá la transformación.

15.- Siente gratitud por todo lo que te regala el universo.

16.- Recuerda que nada en este plano de existencia perece, sino que se transforma.

17.-Aprende, investiga, observa, escucha, lee, estudia, conoce. Mantén siempre una actitud crítica, no te creas nada que no hayas experimentado por ti mismo.

18.-No te apegues a nada material. No consumas lo que no necesitas. Deshazte de lo viejo, de lo innecesario y de todo lo que no te alegre la vida, y deja espacio para que entre lo nuevo, lo útil y lo bello.

19.-Tampoco te apegues a ninguna creencia. Lo mismo que tu cuerpo se renueva constantemente, también lo deben hacer las ideas.

20.-Siembra cada día las semillas que te lleguen de dentro o de fuera. La semillas pueden ser palabras, caricias, belleza, acciones. Ellas son los gérmenes de más sabiduría, amor, la verdad, la belleza, el arte y la salud.

21.-Cuida con mimo el territorio que está más allá de tu cuerpo, tu casa, tu barrio, tu ciudad… el planeta y el universo.

Carmen Sol

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Aplicação das leis da Gestalt para a detecção de padrões rítmico-melódicos na música Kashmir de Led Zeppelin e seu uso como ferramenta analítica

Jorge A. Falcón

Resumo: Neste artigo pretende-se demonstrar uma utilização sistemática das leis da Gestalt na detecção de padrões rítmico-melódicos na música e, por meio deste processo, apresentar ferramentas de análise formal. A forma de uma música se estabelece como resultante da relação de permanência/mudança de padrões em cada secção. Para exemplificar o procedimento, será utilizada a canção “Kashmir”, do álbumPhysical Graffiti, de 1975, da banda Led Zeppelin, analisando nela as características rítmicas das partes A e B, e ao mesmo tempo tentar compreender a ambigüidade rítmica e fraseológica características da citada canção.

O procedimento analítico é extensível a outros tipos de música, independentemente de estilo ou época.

Palavras chave: Gestalt, padrões, análise musical, Kashmir, Led Zeppelin

 

Uma das maiores necessidades humanas é a de encontrar padrões no meio ambiente (Levitin, 2006).

Nosso cérebro esta permanentemente tentando pôr ordem na desordem, e para compreender este processo podemos utilizar as leis da Gestalt. A teoria da Gestalt foi criada por Wertheimer, Köhler, Koffka e Lewin e descreve o funcionamento de nossa percepção e compreensão do mundo externo. Segundo esta teoria, nossa mente configura, através de certas leis, os elementos que chegam até nós pelos canais sensoriais ou da memória.

Agrupamento (grouping) se refere à maneira pela qual os elementos se combinam ou se mantém separados uns dos outros na nossa interpretação do mundo. O agrupamento é um processo automático, o que significa que grande parte dele acontece instantaneamente no nosso cérebro, sem participação de nossa consciência. Foi descrito como o problema de “what goes with what” (Levitin, 2006). Meyer, 1956; Tenney e Polanski, 1980; Lerdahl e Jackendorf, 1983; Sloboda, 1985; Deliège, 1987; Cambouropoulos, 1996; e Lipscomb, 1999 tem trabalhado exaustivamente na aplicação das leis da Gestalt na delimitação de grupos perceptivos no plano de superfície de obras musicais.

Tenney e Polanski (1980) definem:

A piece of music does not consist merely of an inarticulate stream of elementary sounds, but a hierarchically ordered network of sounds, motives, phrases, passages, sections, movements, etc.-i.e., time-spans whose perceptual boundaries are largely determined by the nature of the sounds and sound configurations occurring within them. Such timespans (and the events or pro-cesses which define them) will (here) be called temporal gestalt-units.

Esta definição de unidades gestalticas temporais servirá, por sua vez, como definição daquilo que chamaremos doravante de padrão .

As leis da Gestalt da proximidade, similaridade, boa continuidade, simetria, direção (ou destino) comum, e experiência passada serão utilizadas para a delimitação de padrões nas secções A e B da música Kashmir, da banda Led Zeppelin, gravada em 1975 e lançada originariamente no album Physical grafitti . Para um aprofundamento das leis da teoria da Gestalt e sua aplicação em música ver Lipscomb em Hodges (1999).

Será analisada a primeira secção da música, que será chamada de secção A, que vai desde 0′ 00” até 0′ 53”.

Esta secção esta conformada pela superposição de três planos sonoros:

Chamaremos planos sonoro – ou PS – ao som ou conjunto de sons que por causa da sua constituição psicoacústica (natureza da sua conformação tipo-morfologica) ou sua função (sons de diferentes características tipo-morfologicas que se relacionam por igualdade ou semelhança de principio de ação) são percebidos como uma unidade funcional e de sentido dentro da textura da música.  

1. Um plano formado pela superposição de outros três planos sonoros e caracterizado pela não tonicidade dos sons que os compõem (sons complexos segundo a classificação de P. Schaeffer (1966): bumbo, caixa e pratos).

2. Um plano, com sons tônicos (sons harmônicos de altura definida) que é a soma em uníssono de dois timbres reconhecíveis como guitarra e cordas, utilizando um sistema escalar diatônico-cromático de afinação temperada.

3. Um plano tônico também, com um nível hierárquico perceptivo diferenciado, devido a se tratar de uma voz masculina cantando com texto, o que dá a este plano uma superioridade em termos de semântica.

A separação de PS1 dos PS2 e PS3 se deve à diferencia de tonicidade entre estes, e entre PS2 e PS3 devido a níveis semânticos. Também pode se observar que PS2 e PS3 não começam simultaneamente. Os planos 1 e 2 iniciam simultaneamente em 0′ 0” enquanto o plano 3 começa em 0′ 18”. Descrição do PS1: O PS1 está constituído internamente pela superposição de três planos sonoros de diferentes características psicoacústicas

•  O bumbo (que será denominado PS1a): sons curtos, sem sustentação, com um ataque por choque ou percussão, com uma leve ressonância dada pela reverberação da gravação e com uma freqüência entre 60 e 160 hz e pico nos 108 hz.

•  A caixa (PS1b): sons curtos também, com um release levemente mais acentuado que o bumbo, com ataque por choque ou percussão, leve ressonância por causa da reverberação da sala onde foi gravada, e um faixa de freqüências entre 150 e 400 hz. com um pico nos 300 hz.

•  O prato (PS1c) que tem características semelhantes de corpo e sustentação, porém cobre uma faixa de freqüências muito maior, que vai desde 200 hz até 16 Khz., com platôs de 200 hz a 1000 hz, de 1100 hz a 3000 hz e de 4000 hz a 16 Khz.

Cada um dos planos internos do PS1 possui um desenho rítmico – um padrão – diferente, constituindo assim um padrão maior que agrupa os três (PS1a, PS1b, e PS1c).

A constatação e confirmação deste padrão decorrerão da previsão de repetição e da devida confirmação. Para mais informação sobre previsão de eventos, ver Krumhansl (2006), Krumhansl et al . (2000b), Longuet, Higgins e Lee (1992), Coelho de Souza (2006).

Observa-se aqui nos primeiros dois compassos do PS1 a existência de um padrão e sua repetição.

Podemos assim relacionar as leis da Gestalt que determinam o agrupamento destes elementos em planos, tanto no PS1 quanto nos planos internos: lei de semelhança , de continuidade e de proximidade .

Em PS1 pode-se dizer que a lei de experiência passada, baseada no reconhecimento do padrão por causa de sua repetição, é o elemento aglutinante que reforça a idéia da construção perceptiva de um padrão composto por planos internos. Uma vez escutado o padrão e confirmada sua repetição, nossa percepção não precisa fazer mais esforço para reconhecê-lo, já que ele já é familiar. Qualquer modificação perceptível marcará um ponto de articulação no discurso, toda vez que nossa atenção se direcionará para interpretar o significado dessa mudança.

Por exemplo: se o padrão do bumbo que é

for modificado em algum parâmetro (no exemplo seguinte no terceiro tempo do quarto compasso) essa modificação significará nova informação. Se essa modificação se repetir formando um padrão (ou seja, se acontecer periodicamente), por exemplo:

isto seria entendido como um padrão aglutinante de padrões menores, criando um nível superior de agrupamento, que a nossa percepção estaria novamente prevendo e confirmando (ou não). Se houver confirmação da repetição do padrão modificado, o padrão constituído pela nova agrupação de eventos se transferiria de PS1a ao nível superior, ou seja, a PS1, e criaria assim um padrão de nível superior. Observa-se assim como a modificação significante de algum dos parâmetros num plano de nível inferior transfere suas características ao plano imediatamente superior. Se essa modificação acontecer de maneira imprevisível ou aleatória, ou ainda em períodos de tempo nos quais a memória não consegue registrar os eventos como relacionados, estes apareceriam como eventos isolados, que não conformaria um elemento significante a agrupar em níveis superiores. De fato é isto o que acontece na peça: o agrupamento rítmico do último compasso do exemplo anterior aparece intercalado ao padrão normal, sem conformar qualquer seqüência determinada, como um grau de desvio (improvisatório), sem constituir um padrão, e, portanto, não sendo significativo para o estabelecimento de unidades formais.

Por outro lado é possível outro tipo de agrupamento baseado em Fraise (1982, em Krumhansl, 2006). Se em lugar de consideramos padrões lineares correspondentes a cada PS interno e considerássemos que cada padrão está composto pela acentuação métrica perceptiva do PS1a como arsis e tesis, poderíamos agrupar o padrão num modelo correspondente a um compasso se 2/4.

A escuta da música com esta opção de agrupamento produz um resultado perceptivo sensivelmente diferente.

Como foi mencionado anteriormente o PS2 esta constituído pela superposição de dois timbres diferentes (guitarra e cordas).

Ele tem varias características que merecem ser mencionadas, porque grande parte do interesse musical desta peça depende das características próprias dele (do PS2) e da sua relação com os outros planos (PS1 e PS3). É possível estabelecer vários níveis diferentes de

agrupamento dentro deste plano. A primeira observação é que ele apresenta por sua vez doisplanos sonoros superpostos que serão chamados de PS2a e PS2b.

PS2a é o plano que se encontra num registro mais agudo e que se movimenta começando na nota Lá3 e chega por movimento ascendente até a nota Ré4. O salto melódico do Ré4 ao Lá3 dando origem a um novo movimento ascendente interrompe a seqüência e cria um padrão que será confirmado por sua repetição imediata, embora exista uma pequena modificação que será detalhada mais adiante.

Esta interrupção do padrão, por causa do salto melódico descendente esta reforçada pela lei da Gestalt da direção (ou destino) comum. O movimento ascendente que se inicia na nota Lá3 e culmina em Ré4, pode também ser justificado pela lei de fechamento, segundo Lipscomb (1999). O salto quebrando a direção do movimento determina então, pelos motivos antevistos, o final do padrão e o começo da repetição deste padrão.

O PS2b funciona como sustento do plano anterior e corresponde a uma nota pedal de D3 que acompanha a figuração rítmica acrescentando uma colcheia substituindo a última pausa de colcheia.

É necessário notar que o uníssono de guitarra e cordas acontece exclusivamente em PS2a, ficando o PS2b restrito à guitarra, e mais precisamente à corda Ré.

Dentro deste padrão é possível identificar ainda dos níveis diferentes, e, em cada nível, pode-se realizar um agrupamento diferente.

O primeiro destes agrupamentos acontece em PS2a e é justificado pela lei de proximidade. Cada grupo de duas semicolcheias e colcheia se separa do próximo pela pausa de colcheia que o sucede. O ataque do seguinte agrupamento marca o começo de um novo processo perceptivo de segmentação, e a repetição deste padrão rítmico confirmará sua existência. A lei de semelhança no parâmetro timbre contribui para o agrupamento como descrito acima.

O seguinte processo de agrupamento se dará na combinação de dos dois planos internos de PS2. A lei de semelhança (no caso de alturas) agrupará em unidades correspondentes a três semínimas, onde o ponto limite esta marcado pela nota Ré que aparece unicamente no PS2b.

Desta maneira, pode-se observar a ambigüidade decorrente da coexistência de diferentes níveis de agrupamento, o que dá ao riff apresentado no PS2 uma característica completamente diferente do PS1. O PS1 não apresenta dúvidas porque todos seus planos internos se articulam juntamente, enquanto em PS2 há uma discrepância interna de pontos de articulação e agrupamentos.

A partir do compasso 4 podemos observar uma defasagem entre os ataques dos padrões de PS1 e PS2. O ponto de início de cada padrão do PS1 é o primeiro tempo de cada compasso, sendo, por conseqüência, a última fração do compasso anterior o final do padrão. Esse tipo de segmentação coincide com a grade métrica proposta pela música: 4/4.

Diferentemente, o primeiro padrão do PS2 começa no primeiro tempo e acaba na terceira colcheia do primeiro tempo do compasso 4. O começo da repetição do padrão se verá modificado porque o primeiro agrupamento é substituído pelo último do padrão anterior.

A partir deste ponto se repetirá sempre começando na segunda colcheia do segundo tempo, deixando o padrão acéfalo, irregular por assimetria. O padrão só aparecerá completo cada vez que houver uma recapitulação da secção A, sendo as aparições subseqüentes irregulares dentro da seção, como foi observado.

A não concordância de pontos de articulação entre planos sonoros e a possibilidade de agrupamento em diferentes níveis serão características especiais da seção que estamos descrevendo e serão utilizadas como elementos estruturais que no confronto com outras unidades de características diferentes poderão servir como ferramentas para uma estruturação formal de nível superior (secções onde a organização de padrões e textura poderá caracterizar unidades de sentido maiores)

Ainda resta fazer uma descrição do PS3, que corresponde à voz cantada.

O PS3 se diferencia do PS1 e PS2, além das diferenças observadas anteriormente, por uma liberdade rítmica muito maior. Enquanto PS1 e PS2 são exatamente precisos na subdivisão rítmica, o PS3 parece ser governado por um conceito que se poderia definir como semelhante ao tempo rubato , ou seja, ele flui com uma liberdade rítmica e fraseológica que se opõe a tudo aquilo ao que está sobreposto. Desta maneira, simplificadamente, pode-se observar a riqueza e diversidade de modos de ação que caracterizam a seção A da música.

A partir de 0’54” se produz uma mudança significativa na organização de alturas e ritmos que provoca uma reorganização de nossa percepção da música. Os padrões existentes até o momento são substituídos por outros de diferentes características.

É a parte B (de 0′ 53” a 1′ 05”).

Enquanto o PS1 se mantém inalterado, o PS2 muda drasticamente.

Guitarra e cordas continuam tocando em uníssono, mas é acrescentada uma seção de metais reforçando a idéia estrutural.

Já não é possível reconhecer dois planos internos, já que o conceito de dois PS sobrepostos é substituído por blocos de simultaneidades (acordes) de três sons agrupados em pares e encadeados a distância de quarta justa descendente (ou um encadeamento relativo “subdominante – tônica”).

acordes

Sol/Ré Fá/Dó Ré/Lá Dó/Sol Sib/Fá Resolução por

movimento

diatónico

Cifra absoluta (tom: Ré)

IV/I

bIII/bVII

I/V

bVII/IV

bVI/bIII

Cifra relativa

IV à I

IV à I

IV à I

IV à I

IV à I

O encadeamento de acordes tem direção descendente tanto harmonicamente (se tomarmos o I de cada encadeamento como eixo harmônico), quanto gestualmente. Cada encadeamento reproduz a mesma disposição dos acordes produzindo um deslocamento registral em bloco. Como conseqüência disto, a voz superior dos acordes apresentará um movimento melódico descendente de semitom como figura melódica perceptivamente mais hierarquizada (Sloboda, 2007), como resultado do movimento IV à I enlaçados por intervalos de 2ª maior ou 3ª menor.

Ritmicamente o PS2 tem características bem marcadas.

É possível fazer um agrupamento em padrões da seguinte maneira:

Um padrão de 1 compasso de duração que contém 3 encadeamentos IV à I agrupados em três grupos de 3, 3 e 2 colcheias (3/8, 3/8 e 2/8). Note-se que o agrupamento diferente é o que serve de enlace pra próxima repetição do padrão. (Internamente, ainda é possível se fazer outra consideração rítmica, se entendermos a subdivisão 3-3-2 como 6/16, 6/16 e 4/16.)

A repetição deste padrão consiste numa transposição a intervalo de 5ª descendente. A continuidade melódica resultante oferecerá uma linha melódica que, para a nossa percepção, segundo a leis de continuidade, destino comum e pregnância, aparecerá como uma unidade de sentido.

No final da segunda repetição (última semínima do segundo padrão) encontra-se um movimento melódico resolutivo diatônico descendente, como grau de desvio ao padrão e com função significativa de enlace com a repetição do padrão original. É possível também, seguindo o critério comentado anteriormente que uma nova informação se torne um dado significante para o agrupamento dos dois padrões num maior, que se repetirá na seqüência uma vez, sendo já reconhecido pela lei de experiência passada (Gomes Penna, 1993)

A secção B não tem voz.

Pode-se confrontar as características comentadas até aqui num quadro comparativo.

Conclusões:

O uso sistemático das leis da Gestalt, somadas à descrição fenomenológica e estilística dos elementos de uma música permite estabelecer maneiras de delimitar tanto padrões ritmico-melódicos como unidades de sentido de níveis superiores numa obra musical.

A forma de uma música se apresenta assim como resultante da relação de permanência/mudança de padrões em cada secção.

No caso particular da música analisada, percebe-se que a ambigüidade a nível perceptivo se deve ao uso de padrões não coincidentes em tamanho com a grade métrica (4/4) que gera processos de segmentação e acentuação rítmico-melódica irregulares e pouco comuns. Some-se a isto o uso de diferentes intenções ou modos de articulação nas características rítmicas intrínsecas dos planos sonoros (superposição de exatidão rítmica – uso de tempo rubato em diferentes planos coexistentes).

Por meio deste processo, então, pode-se comprovar que o estudo dos padrões de superfície e sua relação com a estrutura (grade) métrica permite descobrir processos estruturais na construção musical.

Referências:

CAMBOUROPOULOS, E. Musical Rhythm: A Formal Model for Determining Local Boundaries, Accents and Metre in a Melodic Surface . Proceedings of the Troisièmes Journées d’Informatique Musicale (JIM-96), Caen , France .

COELHO DE SOUZA, R. A lógica no pensamento musical, em Ilari (org.). Curitiba : Ed. UFPR, 2006.

DELIÈGE, I. Grouping conditions in listening to music: an approach to Lerdahl and Jackendorf’s grouping preferences rules. Music Percetion, 4, 325-60 1989.

KRUMHANSL, C. Ritmo e altura na cognição musical, em Ilari (org.). Curitiba : Ed. UFPR, 2006.

LERDAHL, F., JACKENDOFF, R. A generative theory of tonal music . Cambridge: MIT Press, 1983.

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“O pensamento tem poder infinito.
Ele mexe com o destino, acompanha a sua vontade.
Ao esperar o melhor, você cria uma expectativa positiva que detona o processo de vitória.
Ser otimista é ser perseverante, é ter uma fé inabalável e uma certeza sem limites de que tudo vai dar certo.
Ao nascer o sentimento de entusiasmo, o universo aplaude tal iniciativa e conspira a seu favor, colocando-o a serviço da humanidade.
Você é quem escreve a história de sua vida – ao optar pelas atitudes construtivas – você cresce como ser humano e filho dileto de DEUS.
Positivo atrai positivo.
Alegria chama alegria.
Ao exalar esse estado otimista, nossa consciência desperta energias vitais que vão trabalhar na direção de suas metas.
Seja incansavelmente otimista. Faz bem para o corpo, para a mente e para a alma.
É humano e natural viver aflições, só não é inteligente conviver com elas por muito tempo.
Seja mais paciente consigo mesmo, saiba entender suas limitações.
Sem esforço não existe vitória.
Ao escolher com sabedoria viver sua vida com otimismo, seu coração sorri, seus olhos brilham e a humanidade agradece por você existir.”
Pablo Neruda